Como o livro Mindset, mudou a forma como eu lido com o fracasso

Vou contar como o livro Mindset, da Carol Dweck, me ajudou a identificar algumas crenças limitantes e a sair de uma mentalidade fixa para uma mentalidade de crescimento. Não é uma virada de chave instantânea, é mais um processo que ainda estou vivendo, e acho que vale compartilhar exatamente por isso.

Carol Dweck é psicóloga e pesquisadora, e passou décadas estudando como adultos e crianças reagem ao fracasso. A partir desses estudos, ela descreveu dois tipos de mentalidade: o mindset fixo e o mindset de crescimento. Ninguém vive só um dos dois o tempo todo. A maioria das pessoas transita entre os dois, dependendo da área da vida e do momento.

Mindset fixo é acreditar que nossas habilidades e talentos são praticamente definidos desde o início, como se cada pessoa já nascesse pronta, ou não, para determinada coisa. Nessa mentalidade, um fracasso não é só um resultado ruim, é interpretado como prova de que a pessoa simplesmente não tem capacidade. Isso cria um medo grande de tentar, porque tentar e falhar parece confirmar uma limitação definitiva.

Mindset de crescimento é acreditar que habilidades se constroem com esforço, prática e tempo. Nessa mentalidade, o fracasso deixa de ser um veredito sobre quem a pessoa é, e passa a ser um sinal de que ainda falta praticar, ajustar ou aprender mais alguma coisa. O erro vira parte do processo, não prova do contrário.

Eu vivo os dois ao mesmo tempo, quase todos os dias. Faz um ano que venho me candidatando a vagas de analista financeira em empresas grandes, um objetivo que carrego há bastante tempo. As respostas têm sido negativas, uma atrás da outra, e é exatamente aí que meu mindset fixo entra em ação. Penso que sou uma fracassada, que não consigo provar nem para mim mesma que sou capaz de conquistar isso. É uma sensação pesada, de estar sempre devendo alguma coisa a mim mesma.

Ao mesmo tempo, existe uma outra voz, mais discreta, que é o meu mindset de crescimento. Ela me lembra que ainda posso desenvolver habilidades que me faltam, e que também tenho a opção de construir meu próprio caminho profissional, em vez de depender inteiramente de alguém me escolher. Essa voz não grita tão alto quanto a primeira, mas está lá, insistindo.

Reparando com mais atenção, percebi um padrão: na maior parte do tempo, fico muito mais preocupada em demonstrar que sou capaz do que em realmente aprender algo novo ou olhar para a situação por outro ângulo. Isso significa que, mesmo diante de uma rejeição que poderia ensinar alguma coisa, eu gastava a energia tentando provar um ponto, em vez de perguntar o que aquilo tinha para me mostrar.

Depois de tantas respostas negativas, parei para pensar seriamente em como poderia mudar essa mentalidade. E eu quero mudar, porque quando o mindset fixo assume o controle, eu me sinto presa dentro da própria cabeça. Não consigo crescer, não consigo aprender, e o pior: não consigo nem enxergar outras possibilidades além daquela única vaga que não veio.

O que percebi que precisa mudar, na prática, é parar de viver tentando provar minha capacidade o tempo todo, seja para mim mesma ou para outras pessoas. Em vez disso, quero começar a viver mais experiências novas, mesmo sem garantia de resultado. Quero olhar para minha vida profissional com outra perspectiva, não como uma prova única que preciso passar, mas como um caminho que se constrói aos poucos, com tentativa, erro, ajuste e continuidade.

Isso significa assumir riscos, encarar desafios, e soltar um pouco o peso da opinião alheia, algo que, sendo sincera, ainda estou aprendendo a fazer. Estamos aqui, afinal, para aprender e experimentar coisas novas, não só para colecionar aprovações. E o que fica, no fim das contas, não é a vaga que não veio, é o conhecimento e as experiências que a gente vive pelo caminho, inclusive as difíceis.

Se você também se reconhece alternando entre essas duas mentalidades, talvez o primeiro passo não seja eliminar o mindset fixo de vez, isso dificilmente acontece de uma hora para outra. Talvez seja só começar a notar quando ele aparece, sem se culpar por isso, e escolher, mesmo que aos poucos, ouvir um pouco mais a voz que fala em crescimento.

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